TERRITÓRIO

Pese embora o facto de ser constituído por um grande número de freguesias, muita da notoriedade que Santa Maria da Feira logrou alcançar num passado recente deve-se, em grande medida, a um modelo multipolar de desenvolvimento. Nesse sentido, e se a cidade-sede do concelho apresenta um cariz vincadamente urbano, assumindo-se como uma forte centralidade local, não será menos verdade que o mesmo se passa em algumas das principais freguesias de Santa Maria da Feira. E nesse sentido, o eixo norte do concelho, constituído pelas freguesias de Paços de Brandão, Mozelos, Nogueira da Regedoura, Lourosa, Argoncilhe e Fiães, perfila-se como o principal pólo industrial e económico do concelho.

Detentora do estatuto honorífico de cidade desde o dia 19 de Abril de 2011, Fiães dista cerca de 8 km da cidade sede do concelho, confinando com as freguesias de Lobão, Caldas de S. Jorge, João de Ver, Lourosa, Mozelos, Sanguedo e Argoncilhe, sendo, de acordo com os resultados preliminares dos Censos 2011, a 5.ª mais populosa freguesia do concelho de Santa Maria da Feira, contabilizando cerca de 8000 habitantes.

Embora a EN1 seja, grosso modo, como a “fronteira geográfica” entre as cidades de Fiães e Lourosa, esta assume um papel de “costura” entre ambas as freguesias, unindo-as do ponto de vista económico e social. De facto, ao longo do troço desta via “ergueram-se” duas cidades que se complementam e entrecruzam.

Das várias opiniões acerca da origem do seu topónimo, sabe-se que tem ascendência anterior à própria nacionalidade, indicando-se como mais verosímil, a versão de Leite de Vasconcelos, em que faz derivar a palavra Fiães de “ULFILANIS”.

Segundo esta versão teria havido, onde hoje é o lugar de Fiães, uma Quinta ou Vila Rústica pertencente a um senhor chamado Ulfila, célebre Bispo Germânico que, no século IV da Era Cristã, evangelizava os povos Godos, invasores do Império Romano de que fazia parte a Península Ibérica.

Por força da antiguidade do seu povoamento, a rede viária interna da freguesia apresenta uma configuração difusa e tentacular, carecendo de uma hierarquização e reconversão.

A nível da rede rodoviária nacional, Fiães dispõe de privilegiados acessos à EN1 e, através desta, à A1 (nó de Nogueira da Regedoura e à A42 (Nó de Argoncilhe). A freguesia é, ainda, atravessada pela EN326 (Ligação da EN1 a Arouca).

É uma freguesia com forte pendor industrial, destacando-se um elevado número de unidades industriais ligadas à transformação da cortiça, pese embora o elevado número de unidades industriais de actividades como a cerâmica, calçado, tintas ou construção civil.

Dispõe de uma área industrial, localizada no lugar de Monte Grande, com perto de 23 hectares, espaço esse idealizado no sentido de promover e incentivar a relocalização de algumas unidades industriais ainda existentes imbricadas na malha urbana. Esse facto possibilitará, a médio prazo, uma requalificação urbana da cidade.

 

Apesar do sector secundário absorver grande parte da população activa da cidade, a última década assistiu a uma alteração a este nível, com o sector terciário (comércio e serviços) a conquistar um crescente peso percentual na estrutura económica local. Este facto possibilita que a cidade alargue a sua área de influência para as freguesias limítrofes, mormente do quadrante nordeste concelhio (Lobão, Gião, Sanguedo, Vila Maior).

A nível de oferta de serviços públicos, sublinha-se a existência na freguesia de um Balcão de Atendimento da Segurança Social, de uma Unidade de Saúde Familiar, uma rede de Cuidados de Saúde Privada constituída por diversas clínicas gerais e dentárias, duas farmácias e ainda diversas dependências bancárias.

A nível da rede de ensino, Fiães possui cinco jardins-de-infância (Avenida, Barroca, Chão do Rio, Valos-Igreja e Vendas Novas), cinco EB1 (Avenida, Barroca, Chão do Rio, Soutelo e Vendas Novas) e ainda uma Escola Secundária (com 2.º, 3.º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário). A população escolar de Fiães atinge, de acordo com os dados relativos ao ano lectivo de 2010/2011, cerca de 1800 alunos.

Ainda no que concerne à Rede Educativa da cidade, para além de diversas Instituições Particulares que contemplam a oferta ao nível do Pré-escolar, há a sublinhar a existência de um Centro Infantil sob tutela da Segurança Social.

Historicamente, por ser uma freguesia com excelente oferta ao nível do ensino e de emprego, Fiães exerceu, desde sempre, uma forte atractividade para as populações dos concelhos limítrofes de Castelo de Paiva e Arouca que, aos poucos, se foram radicando nesta freguesia.

O quotidiano da cidade é vincado por uma forte vivência associativa (cultural, recreativa e desportiva). Do tecido associativo local contabilizam-se mais de duas dezenas de agremiações / colectividades, que desempenham um inestimável contributo social. Associações fianenses, como o Grupo Musical de Fiães ou o Fiães Sport Clube, são duas das mais antigas associações concelhias que, não obstante a sua longevidade, dão mostras de uma vitalidade assinalável.

A nível do Património Cultural da cidade, destaca-se a existência do Castro de Fiães (Imóvel em Vias de Classificação, com despacho de homologação de 19-11-1975) no lugar do Monte de Santa Maria, onde, na década de 1970, fruto de trabalhos arqueológicos realizados, foi posto a descoberto um importante espólio arqueológico. No entanto, a interrupção dos trabalhos arqueológicos e o aparente abandono a que foi votado a estação arqueológica por parte das entidades tutelares têm impedido a confirmação da teoria que atribui a este espaço arqueológico a antiga localização de “Lancobriga”, uma das mais importantes “villa” da presença romana no território português.

  Destaque ainda para a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, construída em 1884, as Capelas Oitocentistas de Nossa Senhora dos Aflitos (ou de Macieira), de Nossa Senhora da Conceição ou acapela de Nossa Senhora da Conceição, cuja construção se crê datar do século de setecentos.

 

A paisagem da cidade é, ainda, marcada pela existência de algumas casas de arquitectura Brasileira. É exemplo maior deste tipo de arquitectura a Quinta do Inspector (séc. XIX), havendo, ainda, outros exemplares na Rua Dr. Mário de Castro.

 

Patrimonialmente adquire também particular relevo a Quinta da Cavacada, não só pelo seu estilo arquitectónico senhorial, mas também, e sobretudo, pelo facto de este espaço ter acolhido, durante largos anos, a Escola Preparatória da freguesia.

 

A ocupação do solo da freguesia de Fiães é, na sua maioria, de cariz urbano, destacando-se neste particular, a função residencial, maioritariamente presente na área central da freguesia, embora esta “coexista” com funções comerciais e de serviços. No entanto, há que referir a existência de várias áreas de equipamento dispersas um pouco por toda a cidade, nomeadamente a área escolar no lugar do Ferradal, a zona desportiva do Bolhão, bem como a área envolvente da Piscina Municipal de Fiães, no lugar do Monte da Pedreira.

 

Na parte nascente da freguesia, em pleno Vale do Rio Uíma, está em marcha um ambicioso projecto de requalificação ambiental. Esta intervenção de revitalização das “Ribeiras de Fiães”, inserido na Rede de Parques Metropolitanos da Grande Área Metropolitana do Porto, promete “devolver” a Fiães e às suas gentes, um verdadeiro “ex-líbris” ambiental e paisagístico.